O reservatório localiza-se na freguesia de Longueira – Almograve, junto do vértice 65 a 17,7 km do início do canal de Milfontes, onde tem início o distribuidor dos Nascedios.
A satisfação das necessidades de água de cada um dos beneficiados a jusante destes canais, pressupõe a existência dos volumes e dos caudais correspondentes à integração dos consumos verificados a jusante. Por outro lado, deverá garantir-se que os caudais necessários se encontram disponíveis, em tempo oportuno, nas tomadas de água.
No escoamento em canais de rega a velocidade da propagação das perturbações, ou ondas de translação, é sensivelmente da mesma ordem de grandeza da velocidade média do escoamento. Nesta situação, a adução de qualquer caudal, ou a correcção do caudal já em escoamento demora um tempo, que poderá ser muito significativo, geralmente da ordem de algumas horas, tempo que se designa por tempo de resposta do canal. No presente caso, pela experiência dos técnicos da Associação de Beneficiários, os caudais admitidos no início da canal de Milfontes demoram 7 horas a chegar ao nó do distribuidor dos Nascedios, onde se pretende construir o reservatório de regularização.
Este facto obriga a que sejam admitidos no canal de Milfontes, com a antecipação necessária (cerca de 7 horas antes), os caudais que se prevêem vir a consumir a jusante. Tendo em consideração este elevado tempo de resposta, e de modo a não existirem falhas no abastecimento são, em geral, admitidos no início do canal de Milfontes, caudais em excesso, designados por folgas.
Assim, e para não existirem défices nem excessos de água será necessário, para além da adopção de modelos de controlo em tempo real, criar reservatórios de regularização próximo das tomadas de água ou dos locais de consumo por forma a permitir uma resposta imediata às possíveis variações dos caudais consumidos. A criação dos reservatórios de regularização é tanto mais importante quanto mais flexível for a distribuição de água. No presente caso, cada vez mais agricultores têm adoptado a rega por aspersão, podendo por isso ocorrer grandes variações dos caudais consumidos ao longo do dia, sem qualquer aviso prévio. Uma das finalidades do reservatório será, portanto, o aumento da rapidez de resposta do sistema hidráulico às variações dos pedidos de caudal, e ao mesmo tempo, permitir a redução das perdas operacionais de água.
A solução preconizada implica a existência de um reservatório dimensionado para receber os excessos de água, regularizar os caudais de modo a compatibilizar os caudais aduzidos com os caudais pedidos e fornecimentos e distribuição pelos diversos utilizadores do canal a jusante e dos distribuidores. Por outro lado, o volume armazenado permitira optimizar os encargos de exploração sem custos de bombagem associados por funcionar por gravidade. Permitirá também assegurar uma resposta praticamente instantânea aos pedidos de fornecimento de caudal aos agricultores. Actualmente é necessário realizar um elevado número de intervenções por falta de água no troço terminal do canal de Milfontes (troço a jusante do futuro reservatório). De facto, este é o troço onde existem mais solicitações do serviço de prevenção, fora das horas de expediente.
A obra tem um arranjo geral compreendendo um reservatório semi-escavado com revestimento interior em geomembrana de PEAD aplicado sobre geotêxtil, uma estrutura de entrada para admissão de caudais, uma descarga de fundo, uma estrutura de segurança, e duas tomadas de água: uma para alimentação do distribuidor dos Nascedios; e outra para alimentação do alimentação do canal de Milfontes a jusante do reservatório. O NPA do reservatório foi imposto pelo nível regulado no canal de Milfontes que se situa aproximadamente à cota 72,00 m. Deste modo, o NPA do reservatório foi fixado 0,10 abaixo daquele valor, isto é à cota 71,90 m.
O NmE do reservatório foi imposto pelas cotas dos planos de água na secção de restituição do canal de Milfontes – cota 70,20 m, e na secção de restituição do distribuidor dos Nascedios – cota 69,87 m. Tendo em consideração as perdas de carga que ocorrem nos circuitos hidráulicos das tomadas de água fixou-se o NmE à cota 70,40 m.
Tendo em consideração a cota do NmE, e de modo a criar uma capacidade “morta” para deposição de sedimentos, fixou-se o fundo do reservatório à cota 70,10 m. A estrutura de entrada foi dimensionada de modo a permitir a admissão do caudal máximo do distribuidor dos Nascedios – 1,260 m3/s, e do caudal máximo do canal de Milfontes a jusante do reservatório – 0,636 m3/s. O caudal de dimensionamento adoptado foi, portanto, de 1,9 m3/s.
Principais características da obra:
Localização
Local (freguesia)
| Longueira
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Reservatório
Cota do coroamento
| 72,90 m |
| Nível Máximo (NM) | 72,00 m |
| Nível de pleno armazenamento (NPA) | 71,90 m
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| Nível mínimo de exploração (NmE) | 70,40 m |
| Cota do fundo | 70,10 m |
| Capacidade total no NM | 41,2 x 103 m3 |
| Capacidade total para o NPA | 38,9 x 103 m3 |
| Capacidade total para o NmE (70,40) | 6,2 x 103 m3 |
| Capacidade útil ao NPA | 32,7 x 103 m3 |
| Área do plano de água para o NM | 22,9 x 103 m2
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| Tipo | semi-escavado
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| Largura máxima no fundo | 118,3 m
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| Comprimento máximo no fundo | 236,5 m |
| Largura máxima no topo | 130,3 m |
| Comprimento máximo no topo | 248,6 m
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| Altura | 3,0 m |
| Largura total do coroamento | 3,5 m |
| Inclinação dos taludes interiores e exteriores | 1,00 (V):2,00 (H)
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| Folga em relação ao NPA | 1,00 m
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| Folga em relação ao NM | 0,90 m |
| Revestimento dos taludes interiores e fundo | geomembrana em PEAD |
| Sistema de drenagem interno | drenos Ø 125 e Ø 200
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Órgão de segurança
Sifão de ferra automática do tipo “Neyrpic”
| SI 700 |
Descarga de fundo
Dimensões do orifício
| 500 mm
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| Órgão de manobra | Comporta mural DN500
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| Caudal de dimensionamento | 0,73 m3/s
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Estrutura de entrada (admissão)
Tipo
| canal rectangular com
degraus e bacia de dissipação
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| Caudal máximo de admissão | 1,9 m3/s
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| Largura do canal | 1,5 m |
| Altura do canal | 2,00 m |
| Estrutura de regulação | Comporta de corrediça
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| Estrutura de limpeza | grelha com limpeza
automática
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Tomada para o canal de Milfontes
| Tipo | canal rectangular e câmara
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| Caudal máximo para o NmE | 0,636 m3/s
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| Largura do canal | 1,50 m |
| Cota da soleira do orifício de entrada | 68,70 m |
| Orifício de entrada | DN 900 |
| Grelha com barras afastadas de | 50 mm
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| Comporta mural do orifício de entrada | Corrediça
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| Diâmetro do orifício | Ø 900 mm
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Tomada para o distribuidor dos Nascedios
| Tipo | canal rectangular
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| Caudal máximo para o NmE | 1,26 m3/s |
| Largura do canal de entrada | 2,70 m |
| Cota da plataforma de manobra | 72,90 m |
| Cota da soleira do orifício de entrada | 69,30 m
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| Orifício de entrada | 0,8 x 0,8 m2
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| Comporta mural do orifício de entrada | corrediça com 0,8 x 0,8
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| Comporta de regulação do nível a jusante | AVIO 90/63 |
| Bacia de dissipação de energia | 8 m x 3,4 m x 1,6 m |
| Módulo de rega | X1-60
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| Módulo de rega | L1-1200 |